Alvaro

Gregárias e Gregários, obrigado por estar com a gente em mais um programa.

Alvaro

Nesse, a nobre companhia de quem estreou a Gregário, a Gisele Gasparotto junto com a Tota e a falecida Érica, foram o primeiro programa da Gregário, Mulheres do Ciclismo.

Alvaro

E por uma absoluta incompetência nossa, só agora, quase cinco anos depois, a gente está fazendo o nosso programa com a Gisele.

Alvaro

O programa de hoje é pra gente falar do desafio de quem faz esporte de endurance, natação, corrida e ciclismo, do lugar de treinar.

Alvaro

Quem nada só precisa de uma piscina, boas notícias, más notícias, porque ter uma boa piscina e não ter 200 pessoas por raia não é trivial.

Alvaro

Para quem corre é mais fácil, mas mesmo assim ter uma qualidade de treino para fazer volume não é tão trivial.

Alvaro

E para quem pedala talvez é o nosso maior desafio, porque a gente precisa...

Alvaro

Menos de uma hora nem vale sair de casa e para ter algum volume, para fazer diferença, três horas.

Alvaro

E três horas dá para fazer tudo isso sempre na bolinha da USP ou em algum quarteirão.

Alvaro

mas chega uma hora que você vai perder, não vai passar mais no psicotécnico para fazer carteira de identidade de motorista.

Alvaro

Então, o que a gente vai falar hoje aqui é sobre esse desafio.

Alvaro

E aí vale lembrar de que um dos efeitos que a gente vê acontecendo pelo mundo, não é só em São Paulo, não é só no Brasil, é cada vez mais restrição para os ciclistas pedalarem.

Alvaro

A gente até tem notícias de que na Europa, países como a Inglaterra, na cidade de Londres, a própria Holanda cada vez cria mais restrições de onde ciclistas podem pedalar.

Alvaro

Nos Estados Unidos, a gente tem notícia que cada vez está mais difícil fazer prova de estrada porque as prefeituras não estão querendo dar o vará por uma pressão dos habitantes dessa cidade.

Alvaro

Então, nós aqui em São Paulo, e por isso até o crescimento do gravel, um dos motivos do crescimento do gravel nos Estados Unidos e um pouco na Europa, é por causa disso.

Alvaro

No nosso caso, a gente não tem tanto esse problema, até porque a gente não tem prova suficiente.

Alvaro

mas a gente se vira pra pedalar.

Alvaro

Então, Gisele, depois desse prólogo, bem-vindo aqui na Gregário e vamos ver aonde a gente chega com essa conversa de onde pedalar.

Gisele

Obrigada, Alvaro, de novo estar aqui com vocês é um motivo de honra pra mim, adoro o programa, adoro todos, então...

Gisele

Super feliz de estar de volta.

Alvaro

E onde pedalar?

Alvaro

Você pedala há quanto tempo?

Gisele

Eu sou ciclista de estrada, vamos dizer assim, há 15 anos, porém eu comecei antes, em 2005, como mobilidade, que era numa época ainda mais difícil para se locomover de bike em São Paulo.

Gisele

Hoje eu considero que seja muito mais fácil.

Gisele

do que eu quando comecei em 2005.

Alvaro

Nesses 15 anos, o que você sentiu diferente do ambiente, ou seja, do trânsito dos motoristas para dividir a rua e treinar?

Gisele

Então, eu quando comecei, Álvaro, eu senti a falta de ciclovias, de lugares onde eu pudesse realmente pedalar e ir para o meu trabalho com tranquilidade.

Gisele

E depois que eu comecei a treinar, inclusive ir para os treinos, porque eu costumo ir pedalando até para os treinos, para as aulas até hoje.

Gisele

Então, eu acho que tem mudado bastante.

Gisele

Eu acho que os motoristas estão mais acostumados com os ciclistas.

Gisele

Eles gostando ou não, a gente está aí.

Gisele

Eu acho que a cidade também fez uma boa comunicação.

Gisele

em relação ao respeito aos ciclistas.

Gisele

Então, isso também acredito que funciona, que a educação no trânsito tem funcionado.

Gisele

Claro que tem muita coisa para melhorar, principalmente nessa questão de onde treinar.

Gisele

mas eu acho que a gente já melhorou bastante nesses 15 anos.

Alvaro

Eu tenho uma tese que não é o motorista que ficou mais educado, talvez tem mais motoristas que têm experiência de pedalar e desenvolveram uma empatia, que eu acho que é o que a gente percebe quando você vai pedalar na Itália, na França, na Espanha, de encontrar A minha tese é que o motorista pedala, e, portanto, por isso que ele respeita o ciclista.

Alvaro

E o motorista que não pedala ignora, mas isso é um palpite pessoal.

Alvaro

Agora, você, individualmente, e os atletas que você acompanha, orienta, que rotina?

Alvaro

Porque eu acho que nós ciclistas, em São Paulo, tivemos coletivamente a incompetência de perder a USP, pela nossa falta de educação, algumas pessoas, mas que reflete em todos nós ciclistas.

Alvaro

E aí fica a história de quatro a seis da manhã, poucos pelotões, ou a ciclovia do Rio Pinheiros, que é quase uma fila de embarque de metrô na hora do rush.

Alvaro

O que dá pra fazer?

Gisele

É isso, Alvaro.

Gisele

Não tem muito o que fazer.

Gisele

Às vezes as pessoas vêm pedalar aqui em São Paulo, de outros estados, de outras cidades, e falam, meu Deus, vocês são muito...

Gisele

resilientes nesse sentido de, tipo, é o que tem.

Gisele

E aí a gente tem que se adaptar ao que temos.

Gisele

Então, a gente tem que se adaptar ao horário da USP, a gente tem que se adaptar à ciclovia do jeito que é.

Gisele

E é ali que a gente consegue treinar durante a semana.

Gisele

Ou você vai pro rolo, que é aquilo que a gente tava até falando nos bastidores, né?

Gisele

E faz seu treinamento no rolo durante a semana.

Gisele

Só que, pra mim, o ciclismo é muito dinâmico.

Gisele

Ele exige técnica.

Gisele

E se você ficar só no rolo, você perde técnica.

Gisele

e isso pode ser prejudicial para a sua performance e segurança, principalmente.

Gisele

Então, com as alunas, a gente acaba fazendo o USP ciclovia.

Gisele

Eventualmente, a gente vai no Morumbi, só que no Morumbi também a gente já teve alguns problemas de reclamações de vizinhos, porque a gente começa a treinar muito cedo.

Gisele

e o barulho da roda, imagina um monte de ciclista com a roda fazendo barulho, eles falam que parece um chame às cinco da manhã.

Gisele

Então a gente acabou tendo algum problema com a vizinhança lá do Morumbi, a gente agora não vai mais com tanta frequência, ou vai mais tarde, ou vai uma vez por mês, assim, nos horários um pouco mais tarde para poder não incomodar tanto.

Gisele

Então a gente também fica ali, claro que a gente quer ser respeitado, mas a gente também tem que ter empatia com os outros que não pedalam.

Gisele

Então a gente fica aí nesse meio de campo tentando administrar tudo.

Gisele

Tem funcionado.

Gisele

A gente consegue fazer bons treinos na USP, mesmo nesse horário restrito.

Gisele

E o ciclista já, o esportista, ele já tende também ao acordar mais cedo, porque depois ele tem que trabalhar, na maioria das vezes.

Gisele

E então acaba que é um horário que a gente consegue aproveitar bem.

Alvaro

E pistas de alta velocidade, como é o caso da Marginal, como é o caso das estradas, principalmente Bandeirantes, Romeiros acho que é um outro tipo de treino, mas qual é a tua experiência e a tua opinião?

Gisele

Ah, eu já fiz de tudo, Álvaro, eu já andei em rodovia pra caramba assim quando eu comecei.

Gisele

a treinar, né, ciclismo de estrada, e já andei muito na marginal.

Gisele

Até hoje eu ando na marginal pra me deslocar, não pra treinar.

Gisele

São coisas diferentes.

Gisele

Quando você tá em deslocamento, você não tá fazendo força, você diminui a velocidade, você pega o fluxo do trânsito, né?

Gisele

mas eu confesso que eu não levo o meu grupo para rodovia e não levo o meu grupo mais, não levo para marginal também, porque eu acho que é um risco que qualquer falha, seja nossa, do ciclista ou seja do carro, pode causar um estrago muito grande.

Gisele

Então, eu não levo para rodovias, mas já levei, já fui muito para rodovia na época, Eu também trabalhava na road bike, a gente só ia pra rodovia, então eu acho que eu fiquei com certo receio e também muita responsabilidade em relação às outras pessoas também de tomar essa decisão de levar.

Gisele

Em outros países, né, Álvaro, é proibido andar em rodovias.

Alvaro

Sim, estradas com velocidade acima de 80 km por hora não podem transitar a bicicleta.

Alvaro

Aliás, praticamente todos os países, os Estados Unidos é assim, quase todos os estados, e na Europa também, em estradas de alta velocidade, não estradas secundárias.

Gisele

Sim, rodovias mesmo.

Gisele

A gente foi para o Chile uma vez e a gente entrou na rodovia para descer para Valparaíso, A polícia veio parar a gente, colocou a gente num carro, num caminhão e falou, vocês não podem andar aqui e levou a gente de volta.

Gisele

Então, é porque realmente qualquer erro pode ser fatal.

Gisele

Só que por outro lado, é isso que a gente está conversando aqui.

Gisele

Onde treinar?

Gisele

A gente não tem muita estrutura, a gente não tem muitos lugares onde a gente pode desempenhar nosso esporte com alta velocidade, que é o que a gente faz.

Gisele

A gente não tem os velódromos.

Gisele

aqui também, para nos auxiliar nesse treinamento, que seria um dos recursos que a gente poderia usar durante a semana até.

Gisele

A gente tem que, de final de semana, se deslocar para outras regiões, para regiões mais tranquilas, pegar o carro, ir para Romeros, ir para Jundiaí, para a cidade do interior, para poder fazer nosso treinamento.

Gisele

Ideal não é, mas é o que eu estava falando, é o que a gente tem hoje e a gente acaba se adaptando a isso.

Alvaro

E na convivência com os outros usuários do asfalto, seja motorista, seja moto, motorista de duas rodas motorizadas ou quatro rodas, que regras de sobrevivência você aprendeu?

Alvaro

Como diminuir a chance de um acidente e de um estresse?

Gisele

Vou te falar uma coisa curiosa, eu tenho mais problema com moto do que com carro no trânsito, porque eles não admitem, eu não sei o que acontece, eles deveriam ter mais empatia, eu acredito, com a gente, porque eles também estão mais expostos no trânsito, menos do que a gente, mas mais que os carros.

Gisele

E eu tenho muito problema com moto, eles buzinam, eles querem que saia da frente, porque a gente também passa ali no corredor, né?

Gisele

Às vezes dividem mais espaço com as motos e eu tenho muito problema com moto.

Gisele

Com os carros, pouquíssimo assim, eu sinalizo, a maioria respeita.

Gisele

Um ou outro que dá uma buzinada.

Gisele

Eu, nesses mais de 15 anos que eu uso a bike como meio de transporte também, eu tive até até hoje, um atropelamento.

Gisele

Eu fui atropelada em 2015 por um carro.

Gisele

Ele não me viu, fez uma conversão e acabou me atingindo.

Gisele

Mas fora isso, eu nunca tive problema.

Gisele

Tive um problema de assédio, já falando de assédio, logo no começo também, que uma moto com dois caras, um deles bateu na minha bunda.

Gisele

Não estava na minha bunda, eu estava pedalando, voltando para casa.

Gisele

Mas hoje em dia, faz muitos anos que eu não sofro assédio pedalando Em relação a isso, eu fico bem tranquila, mas eu tenho mais problemas com as motos do que com os carros e ônibus, por incrível que pareça.

Alvaro

Aliás, eu tive uma experiência que eu não recomendo pra ninguém, uma época que eu morava ali em Pinheiros, e eu caí na besteira de voltar da USP pedalando e pegar rebolsas, e tentar de manhã cedo na rebolsas, assim.

Alvaro

Tem uma fila interminável de motos enlouquecidas, e que mesmo que você ande em uma velocidade de satélite no vácuo, é impossível.

Alvaro

E aí você dá uma brecha pra uma, de repente tem uma série que demora 10 minutos pra passar, Esse é um lugar para não tem não dá para pedalar na Rebouças é impossível com esse corredor.

Gisele

Tem uma ciclofaixa minúscula.

Alvaro

A ciclofaixa é uma piada é uma piada de péssimo chamar aquilo de ciclofaixa porque não dá nem para andar.

Alvaro

Quem faz equilibrismo e anda com o pé na frente do outro vai ter dificuldade de andar ali naquela ciclofaixa.

Alvaro

Agora, regras de sobrevivência.

Alvaro

Então, vamos começar aqui.

Alvaro

Cor de roupa.

Alvaro

Porque uma coisa que eu vejo é...

Alvaro

Preto é o mais elegante e até ajuda a aliviar as linhas ou os volumes na cintura que estão acima do desejado.

Alvaro

Mas para quando a gente está andando no trânsito, não ajuda, né?

Gisele

É, não.

Gisele

Não ajuda, mas assim, para mim, o essencial que não pode faltar é luz.

Gisele

Luz piscante atrás e na frente.

Gisele

A gente sempre orienta também nossos alunos, ó, luzinha, mesmo porque a gente treina e ainda está escuro, a gente começa a treinar e ainda está escuro.

Gisele

Então, luz não pode faltar.

Gisele

As roupas refletivas, né?

Gisele

Tem vários coletes que refletem a luz, meia.

Gisele

Hoje em dia, os próprios bretelles às vezes vêm com algum refletivo.

Gisele

Então, acho importante, pra não sair do estilo também, pra quem não quiser.

Gisele

Então, tem sempre...

Gisele

roupas que têm essas faixinhas refletivas, mas isso é o básico, equipamentos de segurança, capacete, enfim.

Gisele

Mas eu acho muito importante, Álvaro, é você desenvolver no trânsito uma coisa que eu desenvolvi ao longo desses anos, que é o sexto sentido, que é você se antecipar, que é você sinalizar suas intenções antes, bem antes.

Gisele

Isso evita com que você tenha problemas de trânsito, quando você consegue é fazer parte dele, que é isso, você precisa fazer parte, você é parte do trânsito, você precisa fazer parte e você precisa se colocar como parte também.

Gisele

Então tudo que você vai fazer em cima da bicicleta, você precisa sinalizar, você precisa observar muito, por isso que essa coisa é fone de ouvido, esquece.

Gisele

Você precisa ter atenção e percepção de tudo que está acontecendo à sua volta.

Gisele

Quando você consegue desenvolver isso, fica fácil andar no trânsito, porque você entende o trânsito acontecendo, independente de onde seja.

Gisele

Então, eu acho que, para mim, isso é o mais importante de ser desenvolvido quando você está andando no trânsito, quando você está ou vai pegar uma rodovia, porque eu não pego, mas tem muita gente que pega.

Gisele

Quando eu estou na marginal, vou te confessar uma coisa, indo para a aula ou indo para a USP, eu olho mais para trás do que para frente.

Gisele

Então, o tempo todo olhando para ver se tem algum carro atrás de mim, se tem algum ônibus atrás de mim, se eu tenho que dar passagem para o ônibus, se eu vou dar passagem para o carro, qual é o posicionamento que eu vou, eu aviso, sinalizo, peço um minuto, segura um pouquinho aí, depois eu vou, sinalizo, pode passar.

Gisele

Então, eu vou me comunicando com o trânsito e isso faz uma diferença brutal na sua segurança.

Gisele

Então, por isso que eu também atribuo ao fato de eu nunca ter tido problema no transito a essa capacidade que eu desenvolvi de conversar com ele.

Alvaro

Acho que esse é um ótimo ponto que vale sublinhar, que é entender como fazer parte do trânsito.

Alvaro

Porque tem uma questão que eu critico, nós ciclistas, de achar que você é o pobrezinho que tem direito a tudo.

Alvaro

Então, como eu sou o mais fraco, eu não tenho que respeitar nada e tenho direito a tudo.

Alvaro

Eu acho que esse é o primeiro caminho para você ter uma situação de conflito.

Alvaro

A gente é o elo mais fraco.

Alvaro

E nesse elo mais fraco, tem uma questão de andar no canto da faixa ou no meio da faixa?

Gisele

No meio.

Gisele

Tem que andar no meio.

Gisele

Mas é isso que você falou.

Gisele

A gente anda no meio para não ser exprimido pelos carros, pelos ônibus, por qualquer outro veículo.

Gisele

Porém, é o que você falou, a gente não é o dono da rua.

Gisele

Então, se você está no meio, que é o que eu faço, eu estou vendo que tem carros atrás de mim querendo passar, eu vou dar uma brecha em algum momento e vou deixar o carro passar.

Gisele

É isso que eu faço.

Gisele

Eu vou para um lado, vou para o outro, sinalizo, peço para passar, eu não fico ocupando a faixa inteira o tempo todo e eu traço atrás de mim que se vire.

Gisele

Então, mas sim, por segurança, você tem que andar no meio.

Gisele

Você tem que ocupar uma faixa para você ter espaço para não ser exprimido na guia.

Alvaro

Agora, quando a gente vai para a ciclovia do Rio Pinheiros, num caso específico de São Paulo, tem a situação de duas pessoas que saem para fazer um girinho leve a 20km por hora e ficam um andando do lado do outro.

Alvaro

Qual é a sua opinião sobre isso?

Gisele

É ruim, né, Álvaro, porque é aquilo que a gente falou, a gente tem que, quando eu estou devagar, porque eu também ando devagar na ciclovia, eu dou aula para iniciantes, eu sempre peço, fica na direita.

Gisele

É uma regra.

Gisele

É uma regra básica, né?

Gisele

Você tá mais devagar de trânsito.

Gisele

Assim como você tem as regras de trânsito na rua, que o mais devagar fica na direita e o mais rápido na esquerda, no ciclismo é a mesma coisa.

Gisele

Então eu sempre peço pra andar na direita.

Gisele

Às vezes eu escuto, querida, eu já entro, dou passagem, mas isso acontece mesmo.

Gisele

Tem gente que Eu tô querendo passar e eles estão parados, assim, um do lado do outro, a 20 por hora, parados não, numa velocidade baixa, e às vezes eu falo esquerda, eles nem se mexem.

Gisele

Sei que se virem, sei que passam aí, entendeu?

Gisele

Então, eu acho que isso tem muito a ver com você se colocar no lugar do outro e poucas pessoas fazem isso hoje em dia, né?

Gisele

As pessoas são muito egoístas, só pensam em si.

Gisele

Então, quando você consegue se colocar no lugar do outro, que ora você vai andar devagar e ora você vai querer andar rápido e também vai querer passagem, a comunicação ficaria mais fácil.

Gisele

Mas eu acho péssimo isso.

Gisele

Eu acho que as pessoas que estão mais devagar têm que andar na direita, as pessoas que estão mais rápidas andam na esquerda, porém, as que estão mais rápidas também têm que ter educação, né?

Gisele

tem que falar com a educação, tem que respeitar.

Gisele

Pode ser que em algum momento realmente não dê pra fazer outra passagem, então você não vai arriscar uma outra passagem perigosa.

Gisele

Então tudo, tudo, tudo é bom senso, né, Álvaro?

Gisele

Que poucos usam.

Alvaro

Tem uma frase ótima de que em inglês traduz melhor, né, common sense.

Alvaro

Então common sense is not common, né?

Alvaro

Bom senso não é comum.

Alvaro

Agora, dentro desse capítulo também, o oposto de alguém que tá vindo fazer um treino intervalado e tem um pelotão mais lento e ao mesmo tempo tem outro pelotão vindo na direção oposta e eu não perder o meu intervalado é mais importante do que eu não provocar um acidente.

Alvaro

Qual é a tua opinião sobre isso?

Gisele

Não, tem que perder o intervalado, tem que perder, não tem como.

Gisele

É isso que eu acho, as pessoas às vezes elas são inconsequentes, essa semana Ontem teve um acidente na ciclovia naquela obra, que tem aquela obra ali da passarela e tal, e os dois bateram de frente por conta disso, porque um, não sei exatamente o que aconteceu, mas alguém estava errado ali.

Gisele

Pra bater de frente, alguém forçou uma ultrapassagem num lugar perigoso, num lugar que é afunilado, E aí as pessoas acabam ficando inconsequentes, porque quando elas estão fazendo força, elas não pensam que elas podem bater de frente, machucar alguém ou se machucar e parar de pedalar, que é o que acontece.

Gisele

Fratura, uma clavícula, um braço, uma perna e você tem que ficar de olho.

Gisele

Então, assim, um minuto, 30 segundos ou 10 segundos que você perder do seu intervalo não vai fazer diferença na sua performance.

Gisele

Às vezes eu tô treinando e eu tenho que parar e aí eu até coloco depois no TrainingPeaks, que é o aplicativo que eu uso, o software, pro meu treinador e falo, olha, aqui eu tive que dar uma reduzida porque tava lotado, tinha que ultrapassar e não deu.

Gisele

Então, eu sempre aviso e eu acho que tem que ser assim, todo mundo tem que ser assim.

Gisele

Inclusive, até quando eu tô fazendo intervalado.

Gisele

Porque é aquela coisa assim, né Álvaro?

Gisele

Eu passo, aí a hora que eu tô descansando, o outro vai e passa.

Gisele

Aí a hora que eu começo, eu passo, aí fica aquela coisa assim, eu falo, ó, tô fazendo intervalado, eu já aviso pra não ter aquela coisa de achar que tô competindo, que eu não quero que a pessoa me passe, fico atrás, então eu já, eu falo que comunicação nessa vida é tudo, tudo eu aviso.

Gisele

Às vezes eu tô na roda de alguém que eu não conheço, falo, ó, tô descansando aqui na sua roda, tudo bem?

Gisele

Ah, não, tudo bem.

Gisele

Então quando você faz isso, a convivência fica mais fácil, mais tranquila, né?

Gisele

Eu acho que as pessoas poderiam ser mais assim, conversar mais e comunicar melhor, porque a gente tá ali um monte de queda, discussão e briga lá naquela psicologia.

Alvaro

Talvez resumindo, a palavra seria civilidade, de que você não tá sozinho e você não é o centro do universo quando existe um coletivo em volta.

Alvaro

Quando você tá no meio do deserto e só tem você ali num raio de 20 quilômetros, aí não faz diferença.

Alvaro

Mas quando tem qualquer tipo de compartilhamento, seja com gente com motor de duas ou quatro rodas, seja com outras duas rodas sem motor, e eu vejo isso nos 40 anos que eu pedalo, que o grande problema é a civilidade, é você entender que você está dividindo aquele recurso, principalmente que 99,9999% somos amadores, estamos fazendo aquilo por hobby, não é um trabalho, é um lazer, é uma terapia, e respeitar.

Alvaro

Eu, pessoalmente, Sou contra, acho, concordo com a lei de 80km, porque já aconteceu comigo eu andando sozinho na Bandeirantes e uma moto foi tocada por um carro e a moto veio voando, a moto e o garupa dando voltas no ar.

Alvaro

a 10 metros na minha frente, se eu tivesse 4 segundos pra frente, eu tinha sido acertado por aquela moto voando.

Alvaro

Ou histórias que a gente já ouviu, que tá num pelotão, e aí você esbarra na tartaruguinha, perde a direção, cai, e tem um trânsito vindo a 120 por hora, e você não pode culpar esse motorista de te atropelar, porque você não pode entrar numa pista de enrolamento de 120 por hora e achar que alguém que tá a 40 por hora tem que frear.

Alvaro

Não é intencional.

Alvaro

Então, eu entendo as dores, assim como entendo as dores, mas não concordo com o pelotão do jockey de ocupar a marginal e perturbar o trano com um pelotão gigante e pelotões gigantes que saem bloqueando uma faixa inteira andando a 35, 40 por hora.

Alvaro

Vou arrumar um monte de inimigo aqui, mas é a minha opinião.

Alvaro

Não tem lugar?

Alvaro

Mas eu acho que isso não é justificativa.

Alvaro

Tem gente que não tem lugar pra fazer qualquer esporte.

Alvaro

Então eu vou pegar um pedaço da Marginal Pinheiros e vou fazer uma quadra lá.

Alvaro

Porque eu não tenho onde jogar.

Alvaro

Eu vou virar bagunça.

Gisele

Eu acho que a gente tinha...

Gisele

Estamos aí, né, Álvaro?

Gisele

Ciclistas estão aí, eu acho que a gente tinha que ter alguns exemplos e seguir, por exemplo, no Rio de Janeiro tem a PCC, que é super legal.

Alvaro

Tem cinco PCCs no Rio, cinco APCCs.

Alvaro

Em vários bairros da cidade.

Alvaro

Já tiveram negociações e nenhuma delas conseguiu sucesso com a Prefeitura de São Paulo, que é quem manda nisso, junto com a Autoridade de Trânsito, e nenhuma delas conseguiu sucesso por N razões.

Alvaro

Pois é, e aí é isso que.

Gisele

A gente tem que brigar, sabe?

Gisele

por esse espaço esse espaço regulamentado.

Gisele

Eu sou a favor de um espaço regulamentado e se for a marginal poderia ser marginal poderia ser o autódromo de interlagos que a gente já teve um autódromo de interlagos para treinamento também há anos atrás.

Gisele

Você lembra disso já deve ter até participado que era aberto durante a semana de domingo.

Gisele

De repente fechar um pedaço da marginal a gente tem tantas corridas de rua marginal de domingo é praticamente fechada quase todos os domingos para competições de corrida de rua.

Gisele

Por que não a gente pegar um espaço para fazer ciclismo?

Gisele

Então, eu acho que o caminho tem que ser esse, só que é isso, né?

Gisele

Falta, talvez, a gente brigar mais por isso, brigar no bom sentido e ter autoridades que estejam com a gente também e nos ajudem a conquistar esse espaço, porque a gente tá aí e não vai diminuir.

Gisele

Para mim, o ciclismo é um esporte tão maravilhoso que quando as pessoas entram É difícil elas saírem, né?

Gisele

Porque ele é realmente um esporte apaixonante.

Gisele

Então, por isso que cada vez mais a gente vê mais ciclistas pedalando, não só no Brasil, não só em São Paulo, mas no mundo inteiro.

Gisele

Então, é um caminho sem volta.

Gisele

Agora a gente só tem que regulamentar tudo isso e ter espaços que...

Gisele

que a gente conseguia realmente ir treinar.

Alvaro

Você acha que a falta de espaço ou o estresse com o trânsito é um elemento que leva pessoas que começam a se entusiasmar pelo esporte a abandonarem?

Gisele

Não.

Gisele

Sabe o que eu acho?

Gisele

Que é a rotina.

Gisele

A rotina, porque eu tô falando pela experiência que eu tenho com as iniciantes.

Gisele

é a rotina de acordar cedo é a rotina de você mudar o hábito porque quando você começa um esporte a gente está falando do ciclismo aqui mas a maioria das vezes você precisa dormir mais cedo acordar mais cedo e aí você e a bike tem um outro elemento porque a logística não é tão fácil.

Gisele

Muitas estão começando não vão fazer igual eu que pego a bike e saio de casa pedalando.

Gisele

Muitas vão ter que pegar carro para ir até o local do treino e aí é mais tempo, e aí tem que acordar mais cedo ainda.

Gisele

Então, eu acho que existe um problema de deslocamento e de horários até a pessoa criar esse hábito de acordar cedo, de dormir mais cedo, e aí entra tudo aquilo que a gente chama de pirâmide, né?

Gisele

Que é a alimentação e vem um monte de coisa junto.

Gisele

Acaba fazendo com que quem não realmente se apaixona, se desmotive um pouco a continuar pedalando, mas questão de local de treinamento não, porque a maioria ali ama ciclovia.

Gisele

Eu amo a ciclovia, apesar da gente ter pouco espaço ali, como você bem falou, parece ou a fila do metrô num dia de rush mas eu amo a ciclovia eu amo treinar eu costumo até ir quando eu vou treinar mesmo fazer meus treinos eu vou até em horários alternativos justamente para não pegar esse volume intenso de ciclistas mas eu acho.

Alvaro

Que aí você colocou assim que a ciclovia partir de 10 horas da manhã fica deserto.

Alvaro

Óbvio que você tem que ter o luxo de ter uma vida que você consegue criar um horário que você pode ir lá de 10 até a hora que fecha, de 10 da manhã às 10 da noite, mas fica vazia, e isso eu acho maravilhoso.

Alvaro

Eu te confesso que no horário do rush, eu me sinto mais seguro na marginal do que na ciclovia.

Alvaro

Eu realmente, na hora de rush, de terça e quinta, de 7 às 9, eu evito ir para a ciclovia, Eu tenho medo, eu pedalo há 40 anos, aprendi a sobreviver e meu histórico de acidente, de atropelamento até hoje é nenhum, mas eu diria que a ciclovia na hora do rush eu prefiro evitar.

Alvaro

E às vezes até para fazer eu invento treinos em outros lugares, eventualmente até usando a marginal, o que eu não recomendo para ninguém, não é proibido.

Alvaro

mas respeitando o volume do trânsito, respeitando o contexto que eu estou ali, porque me incomoda quando junta ciclista, eu acho que é quando junta gente.

Alvaro

A gente teve lá os uruguais que depredaram um pedaço do Rio de Janeiro quando vieram torcer para o time de futebol.

Alvaro

O ser humano, quando se agrupa, acho que o seu lado animal desperta.

Alvaro

Então o ciclista sozinho é educado, mas quando junta grupo, e talvez o que a gente viu acontecer na USP, a civilidade e a educação vão embora, e aquele grupo começa a se achar soberano e que tem que ignorar o resto.

Alvaro

E acho que o incidente que a gente perdeu a USP foi isso.

Alvaro

Foi um grupo de ciclistas, ou vários grupos de ciclistas, que desrespeitavam o carro, o pedestre, como se fosse dono.

Alvaro

não é dono.

Alvaro

E a gente precisa ter educação e compartilhar, como todos os outros que estão compartilhando qualquer espaço que a gente está praticando.

Gisele

Concordo.

Gisele

A palavra é compartilhamento.

Alvaro

É compartilhar e respeitar e sobreviver com isso.

Alvaro

Agora, Rolo, a tua experiência de quem, por circunstâncias, durante a semana concentra no Rolo e só a fim de semana vai para a estrada, o que muda nesse ciclista?

Gisele

Muda a intimidade com a bike, muda a intimidade com a bike, porque no rolo você perde intimidade, você tá sentado ali, você não tem que desviar de nada, você mal, se for um rolo smart, tem que trocar de marcha, porque o rolo já faz tudo pra você, e aí isso pode ser um dificultador quando você vai pra rua, porque você perde a intimidade com a bike, você acaba perdendo um pouco da confiança, né?

Gisele

Eu lembro quando eu fiquei 80 dias no rolo na pandemia, que eu não saí de casa.

Gisele

Foram 80 dias, eu nunca vou esquecer, eu marquei.

Gisele

Foi bem marcante mesmo.

Gisele

Dando aula no rolo, fazendo live no rolo, treinando no rolo.

Gisele

Eu subia no rolo às vezes três vezes por dia, pra você ter ideia, na pandemia.

Gisele

Primeiro dia que eu saí na rua, Eu falei, cara, não sei pedalar.

Gisele

Sabe quando você pega na bike e meio insegura?

Gisele

Ali a questão da estabilidade e tal.

Gisele

Claro, foram 80 dias, né?

Gisele

É bem diferente do que uns 7 dias.

Gisele

Mas você perde a intimidade, você fica mais inseguro.

Gisele

Porque você acostuma muito a não se preocupar com isso quando você tá no rolo.

Gisele

Você só se preocupa em fazer força ali, né?

Gisele

Então, pra mim faz bastante diferença tecnicamente falando.

Alvaro

Agora, é uma solução excepcional e a evolução da tecnologia de rolo em diminuição de barulho, na sensação de resistência e os aplicativos tornam a experiência muito, eu diria, menos desagradável do que mais agradável do que já foi.

Alvaro

Eu, pessoalmente, não consigo, tenho que confessar.

Alvaro

Eu prefiro ir para a rua com chuva e frio do que fazer um rolo, porque para mim é uma experiência sensorial, é uma experiência que eu não consigo ter dentro de um ambiente fechado.

Gisele

Não, mas eu concordo com você.

Gisele

Para mim a bike não é só a performance.

Gisele

Para mim a bicicleta...

Gisele

É isso que você falou, é o vento na cara, eu sair, é aquela sensação de liberdade, olhar São Paulo de uma forma diferente, olhar a paisagem.

Gisele

Eu gosto disso, das pessoas, comunidade.

Gisele

Então, pra mim, o rolo, confesso que eu vendi o meu, porque eu não consigo mais subir na baia e fazer rolo.

Gisele

Então, eu prefiro sair na chuva, muitas vezes.

Gisele

prefiro sair no frio, com vento, do que fazer rolo.

Gisele

Mas isso é o que você falou, é uma opinião minha, é uma sensação minha.

Gisele

Eu gosto de subir na bike e pedalar.

Gisele

Eu não gosto de estar dentro de casa suando e até estragando a bicicleta, porque não combinar.

Alvaro

Aliás, tem uma coisa engraçada, porque algumas provas grandes que eu já acompanhei, no dia da prova, que se choveu muito, um pedaço grande das pessoas não aparecem.

Alvaro

É engraçado, as pessoas pagaram, foram até lá, treinaram.

Alvaro

Estou aqui dando um palpite, mas talvez porque é gente que não tem intimidade de andar...

Alvaro

Porque se você não treina e não anda com frequência em situação de chuva em diferentes níveis, Você não sabe, e aí você vai ficar com medo, e não dá pra combinar a previsão do tempo com o organizador de prova.

Alvaro

E aí na hora que você chega numa prova, você não vai participar.

Alvaro

E aí a frustração, todo o investimento que você fez, de tempo, dinheiro, negociação familiar, evapora por uma coisa que você não se preparou, junto com condicionamento cardíaco, pulmonar, nutrição, sono, todos os básicos que são necessários, estrutura de treino bem orientada.

Alvaro

Tem que andar, tem que ralar.

Alvaro

Profissional não tem opção, você já foi profissional, mas eu acho que muitos dos amadores têm que perder esse mimimi de estar chovendo um pouquinho, volta pra cama, seja porque é treino ou seja porque é corrida.

Alvaro

Vamos pedalar, né?

Gisele

Você sabe que no Letape...

Gisele

na descida da Serra Nova...

Gisele

esse ano...

Gisele

tinha uma névoa absurda...

Gisele

assim...

Gisele

na descida da Serra Nova...

Gisele

e muita gente ficou desesperada com aquilo...

Gisele

meu Deus...

Gisele

como que eu vou pedalar com a névoa...

Gisele

e o chão molhado...

Gisele

e isso e aquilo...

Gisele

e aí muitas pessoas vieram me perguntar...

Gisele

Você desceu ali daquele jeito, com a neve, eu falo, é igual.

Gisele

Claro, você tem que tomar um pouco mais de cuidado, tentar ter uma visão ali um pouco mais ampla, apesar da pouca visão, mas confiar que você tem técnica, que você sabe o que fazer, confiar que não vai ter nenhum carro subindo porque a pista está toda fechada, que você pode usar toda a pista, a extensão dela, Quem faz isso, quem já está mais acostumado, tem muito mais confiança de fazer e acaba descendo na mesma velocidade do que desceria se tivesse com mais visibilidade.

Gisele

Então, é isso que você falou, uma questão que as pessoas não estão acostumadas a pedalar na chuva ou pedalar com o tempo ruim, com leva, com pouca visibilidade.

Alvaro

E até a experiência que leva em você ter acessório.

Alvaro

Então, você ter um óculos de lente clara.

Alvaro

Se você vai numa situação de neve e você tem um óculos para pedalar em dia de sol forte, vai dar ruim, porque você não vai ver o contraste do chão, você não vai ver a profundidade.

Alvaro

Então, a experiência te traz a seleção de como é que você tem que se adaptar de técnica, de acessório, para estar lá e se divertir.

Alvaro

Agora, fundamental, tem que pedalar.

Alvaro

Onde você faz, como você faz, porque faz parte da minha vida e eu já falei isso e outras vezes há décadas e eu pretendo que ainda mais décadas.

Alvaro

E talvez isso, sabe Gisele, eu já conheci muita gente nessas décadas que veio e foi embora porque a única pilha era a competição, era a performance.

Alvaro

E a competição e a performance, para quem tem trabalho, família, é impossível você ser consistente.

Alvaro

Vai ter hora que não vai dar tempo e você vai ter que diminuir a quase zero.

Alvaro

Mas uma coisa que eu sempre me esforcei é de não perder o prazer do vento no rosto, da sensação dos cinco sentidos de estar na rua, de sentir cheiros, barulhos, temperatura de vento.

Alvaro

E, para mim, nisso o ciclismo é insubstituível.

Alvaro

E essa é a minha energia, mais do que disputa de pódio, de medalha, porque quando dá, dá, mas, enfim, é menos importante.

Gisele

Mas ganha não é sempre que dá, né, Álvaro?

Gisele

E a gente tem que lidar bem com isso.

Gisele

Quando você tem um objetivo só de performance, você acaba virando muito pódio.

Gisele

E quando você tem um objetivo de amor e paixão pelo ciclismo como um todo, o pódio é uma consequência, ele não é o fim.

Gisele

Ele é uma consequência do seu trabalho, da sua dedicação, do seu amor pela bike, de você levantar todo dia e ir lá fazer o que você gosta com prazer.

Gisele

Então, eu acho que é muito mais sobre onde você mira do que outra coisa.

Gisele

Então, eu sempre falo isso para as minhas alunas, porque o esporte para mim tem que ser longevo.

Gisele

E a performance, o alto nível não é longínquo, você não vai performar pra sempre, você vai performar durante o período da sua vida.

Gisele

Então você tem que usar o ciclismo, o seu esporte, pra te entregar aquilo que você pode naquele momento, sabendo que você não vai entregar aquilo pra sempre.

Gisele

E como você vai lidar com isso?

Gisele

Como você vai lidar quando você não conseguir performar?

Gisele

Você vai desistir do esporte?

Gisele

Vai largar a bicicleta?

Gisele

Vai deixar de pedalar?

Gisele

Não, eu vou continuar pedalando num outro nível.

Gisele

num nível mais prazeroso, de repente, num nível mais lúdico até.

Gisele

Então, acho que quando a bike faz parte da sua vida, você consegue administrar bem esses picos de performance e de queda.

Alvaro

Ou talvez como incentivos, não de performar, mas porque também em toda pressão, como você falou, a sua observação de que tem gente que abandona pelo desafio da rotina, que não é fácil, e o preço que cobra na família de você não dormir cedo e tudo mais, na hora que você tem uma motivação, vou fazer essa prova aqui ou essa viagem, te dá uma motivação pra você continuar fazendo aquilo.

Alvaro

Porque também chegou a hora, em vários momentos, que você fala, putz, eu tô meio cansado disso, quero diminuir, fazer outra coisa.

Alvaro

Mas o importante é que a gente siga tentando aprender, negociar, porque a gente precisa de lugar pra pedalar, seja ele real, virtual, 3D, inteligência artificial ou qualquer outro meio, pedale.

Gisele

Vamos pedalar.

Gisele

Tchau!

Alvaro

Que tal ter um pôster com a arte desse episódio?

Alvaro

As ilustrações do Woodson Malta podem decorar sua casa!

Alvaro

Entre em contato com a gente e saiba mais!