Gregários e gregários, bom dia, boa tarde, boa noite.
Speaker AEstamos aqui com um programa sobre o que é inevitável na vida, que é o envelhecimento.
Speaker AA partir do momento que a gente dá o primeiro suspiro, ou talvez até a partir do momento que há a primeira combinação lá dentro da barriga das nossas mães, a gente começa a envelhecer.
Speaker AE só tem um jeito de você não falar sobre como lidar com a passagem do tempo.
Speaker Aé você não sobreviver para chegar até lá.
Speaker AA gente tem uma figura icônica, que é o francês Robert Marchand, detentor do recorde da hora da faixa de 100, 104 e 105 anos de idade.
Speaker AOu seja, com 105 anos de idade, ele desafiou e tem o recorde do homem mais rápido a fazer uma hora à maior distância na bicicleta.
Speaker AInfelizmente, nós o perdemos em 2021, Mas a gente vai falar com o Carlos André, que é um atleta, ciclista e que também conhece bastante desse assunto.
Speaker AEntão, começando, Carlos, obrigado por estar com a gente aqui no Agregário.
Speaker AE já entrando da tua experiência de Brasil Ride recente que você teve.
Speaker BOi, pessoal.
Speaker BÉ um prazer, Álvaro, estar aqui com você, com os seus ouvintes.
Speaker BEu não sei se fala assim, ouvintes, né?
Speaker BEntão, rapaz, você falou uma coisa muito importante, né?
Speaker BSó não vive a experiência do envelhecer quem morre antes, né?
Speaker BE parece que essa não é a melhor opção.
Speaker BEu tive agora, eu sou um atleta amador, tenho 58 anos de idade, sou médico, sou geriatra, sou professor na área de medicina, na área de geriatria, e eu fiz agora o meu sexto Brasil Ride, Mountain Biking Series, que é uma prova de sete dias de mountain biking, a maior.
Speaker Bvamos dizer assim, a maior prova por etapas de mountain bike da América Latina.
Speaker BEssa foi minha sexta e foi a segunda vez que eu não completei 100% dela.
Speaker BPedalei todos os dias, mas não completei 100%.
Speaker BUma prova muito dura, muito difícil, que me fez repensar.
Speaker BPuxa, será que eu dou conta de fazer isso mesmo?
Speaker BPorque ano passado eu fiz e esse ano foi muito difícil.
Speaker BNa verdade, Ela acontece na região da Bahia, começa no litoral, na região de Porto Seguro, Arraial da Ajuda, e já no segundo dia você vai para o interior da Bahia, para a região de uma catinga importante, uma catinga bastante quente, que é a região de Guaratinga, e depois ela volta para...
Speaker Bfinalmente ela retorna para o litoral.
Speaker BEntão, são edições que, para nós, meros mortais amadores...
Speaker Bfazemos aí entre seis e nove horas de pedal por dia durante sete dias seguidos...
Speaker Be esse ano foi uma prova muito difícil porque choveu muito nas semanas que antecederam...
Speaker Be no segundo dia, que é um dia muito longo quando você vai para o interior da Bahia...
Speaker Bchoveu muito, muito, muito, muito...
Speaker Be para quem conhece essa região da Bahia...
Speaker Ba lama lá não é lama...
Speaker Bé argila...
Speaker Bentão aquilo gruda no pedal...
Speaker BA sapatilha fica 3 quilos mais pesada, a bicicleta fica 5 quilos mais pesada, você não consegue girar a roda, você tem que carregar e você não consegue andar.
Speaker Bforam...
Speaker Bdos 123 quilômetros desse segundo dia...
Speaker Bdo quilômetro 100 ao quilômetro 114...
Speaker Bou seja...
Speaker Bno finalzinho já...
Speaker Bdois terços da prova eu fiquei nesses 12, 13 quilômetros...
Speaker Bporque era um lugar que estava muito difícil.
Speaker BE isso nos faz pensar em muita coisa...
Speaker Bo que que eu vim fazer aqui...
Speaker Bpor que que eu me meti nessa roubada mais uma vez...
Speaker BAí depois é impressionante...
Speaker Bpassa tudo...
Speaker Bvocê guarda as boas lembranças e já fica assim...
Speaker Bacho que eu vou voltar ano que vem.
Speaker BEntão essa história de você ser desafiado, entrar numa roubada e depois querer voltar é uma coisa difícil de explicar para quem nunca experimentou.
Speaker BE eu que sou médico, sou professor na área de medicina, tenho alunos na graduação, tenho alunos na pós-graduação, tenho meus pacientes, então às vezes É difícil de você explicar por que que você vai lá, por que que você experimenta isso, né?
Speaker BOu é difícil deles entenderem.
Speaker BVocê até explica, mas é difícil das pessoas entenderem.
Speaker AAgora, tem muito de um aspecto mental.
Speaker ADo aspecto...
Speaker Ae esse...
Speaker AAcho que é um pouco de estratégia, temperamento e aprendizado, como é que cada um administra isso.
Speaker AEntão, tem gente de 18 anos que tem cabeça de 100, idoso avançado com limitação, e tem gente de 100 com cabeça de 18, como acho que é o do Roberto Marchand, que ele só parou de pedalar porque a família proibiu, com medo que ele caísse e tivesse uma fratura, e com 105 anos é complicado recuperar a fratura.
Speaker AMas, na tua experiência, o que você pode compartilhar com os nossos ouvintes?
Speaker AE vamos começar assim, o que muda do ponto de vista físico, fisiológico?
Speaker Aaos 25, aos 35, aos 45 e aos 60, para a gente escolher só grandes marcas.
Speaker APorque tem estudos que dizem que existe um ápice aos 25 anos de idade e que depois disso você tem alguns sinais de decadência e você tem um outro tipo de ápice, aí estamos falando de inteligência, de capacidade neurológica, um outro ápice de outro tipo de inteligência aos 60.
Speaker AMas do ponto de vista físico, e quem está nos ouvindo que tem 25, mas que vai ter 35, 45, 55, ou quem tem em algum lugar dessa régua, que realidades levar em consideração e como se adaptar para continuar se divertindo?
Speaker BEntão, assim, do ponto de vista físico, então vamos separar o físico e o mental.
Speaker BEntão, do ponto de vista físico, de capacidade aeróbica, de capacidade neuromuscular, porque o músculo só funciona porque tem um sistema nervoso, tem neurônios, tem nervos que vão até ele e fazem ele funcionar.
Speaker BEntão, nesse sistema neuromuscular, existe uma maturação a partir dos 20 anos de idade, que a gente chama de terceira década de vida.
Speaker BZero a 10 é a primeira década, 10 a 20 é a segunda década.
Speaker BA partir da terceira década de vida, a maturação.
Speaker BEssa maturação encontra-se seu ápice perto dos 30 anos de idade, 30, 35 anos de idade.
Speaker BEssa maturação está associada a um conjunto de capacidade aeróbica, de capacidade muscular, tanto na força, na resistência, quanto na potência muscular.
Speaker BE sem dúvida, a partir dos 35 anos, você começa a ter uma redução gradativa dessas capacidades físicas.
Speaker Bde tal ponto que quando você chega aos 60 anos, você já perdeu aí cerca de 40%, e quando você chega aos 70, você já perdeu 50% dessas capacidades.
Speaker BIsso é fisiológico.
Speaker AA atividade física atrasa essa curva, ou seja, quem não faz nenhuma atividade física tem essa curva mais acentuada de perda, e quem faz atividade física desde sempre, desde a sua adolescência e cruzou tudo isso, retarda um pouco, talvez, o que é a idade...
Speaker BFisiológica, né?
Speaker ACalendário, fisiológica e do que é a idade do corpo, como ele está.
Speaker BEntão, assim, tem hábitos de vida que freiam isso daí, mas esse freio, ele não é que ele reverte, para, mas só freia a velocidade.
Speaker AEle cai mais devagar.
Speaker BE uma dessas situações é a prática de exercício físico, não tenha dúvida, mas também as questões nutricionais envolvidas.
Speaker BEntão, hoje em dia, a parte nutricional é fundamental para a longevidade de um atleta, de um atleta profissional.
Speaker BEntão, você vê aí muitas vezes atletas profissionais mais longevos, e tenha certeza que as questões nutricionais nesse indivíduo são levadas de uma maneira perfeita.
Speaker AE nisso a gente tem o Alejandro Valverde, espanhol, que é o caso admirável de alguém que já passou dos 40, deve ter uns 10% de gordura corporal ou menos e continua competindo e dando sapatada em muito garotão.
Speaker BEntão, isso é fundamental e, veja, quem tem o melhor equilíbrio disso, claro que vai ter uma casualidade, ter uma questão genética relacionada às lesões que essas pessoas têm.
Speaker BEntão, quanto mais tempo você é exposto por uma situação de estresse, que é o caso do esporte competitivo, maior a chance de você ter lesão e quanto mais lesão você tem, teoricamente, menor é o seu é o seu tempo de vida competitiva, principalmente no meio profissional.
Speaker BAgora, no caso, se a gente for avançar para 45, 50, 55, 60 anos, tem também as questões inerentes a possivelmente problemas de saúde mesmo, doenças que podem acontecer, e aí tem questões familiares que podem estar envolvidas, questões genéticas também, hábitos inadequados que também podem atrapalhar e fazer com que essa curva seja mais...
Speaker Ba perda, né, de toda essa performance de capacidade aeróbica e performance neuromuscular seja mais acentuado, né?
Speaker BSão muitas variáveis envolvidas e algumas delas a ciência não conseguiu ainda montar um modelo de como que elas interagem sabem que elas interagem, que elas interferem, mas um modelo definitivo não se sabe.
Speaker BE uma delas, especificamente, é uma coisa chamada inflamage, que é inflamação relacionada à idade.
Speaker BE essa inflamação, apesar de chamar relacionada à idade, não é que ela acontece no idoso, ela acontece mesmo no adulto mais jovem, mas aí tem questões microbióticas, o papel das infecções que você tem durante a sua vida, infecções virais, o tanto que isso pode atrapalhar, de fato, o seu desempenho neuromuscular.
Speaker BEntão, realmente, um indivíduo, um ciclista, o Valverde, por exemplo, que está lá com mais de 40 anos dando sapatada, esse cara é muito especial.
Speaker BEle pode treinar para burro, ele pode descansar para burro, ele pode ter uma alimentação sensacional, mas ele tem uma questão da vida dele, da adolescência, da infância, da adolescência e da juventude, que tudo deu certo, tudo deu certo.
Speaker BCertamente teve poucas infecções quando estava na infância, poucos problemas na juventude, e isso tudo vai se reunindo foi escolhido, foi ele.
Speaker BEntão, isso é uma questão muito...
Speaker Bmuito complexa, mas hoje em dia a gente consegue compreender grande parte disso.
Speaker AAcho que quase todos nós, e eu me incluo nesse caso, demora pra um tempo pra você se convencer que você não é imortal e que você precisa se cuidar.
Speaker AEntão, aos 15, aos 25, até aos 35, sei lá, 45, muitos de nós, e eu me incluo nesse grupo, aceitou hábitos não tão saudáveis, seja de alimentação, seja de sono, seja de regularidade.
Speaker AE tem um hype de pouco tempo atrás, que é o tal das zonas azuis, olhando os lugares do mundo que concentravam maiores quantidades de centenários.
Speaker AIsso é até um pouco polêmico, onde tem um grupo de comportamentos que, teoricamente, não fogem muito do óbvio do que a gente ouve de vários estudos.
Speaker AMas a minha pergunta é, para quem tem 25 ou 35, que ainda talvez não tenha caído a ficha da finitude da vida e do envelhecimento, que bons hábitos você poderia recomendar que administram essa curva que ela não seja tão dolorida da passagem do tempo?
Speaker BPois é, você sabe que eu, enquanto educador, fico falando isso o tempo todo para os meus alunos que tem aí 25, 26 anos.
Speaker BEu também tive 25, 26 anos, algumas décadas atrás, e eu não fazia tudo certinho, mas eu tinha uma preocupação, talvez isso tenha o meu viés, para isso que eu escolhi a geriatria como minha especialidade médica.
Speaker BEu tinha esse viés de, poxa vida, como é que é envelhecer quando ninguém falava disso ainda.
Speaker BHoje em dia, eu acho que as pessoas estão mais...
Speaker Ba minha impressão é que as pessoas estão mais atentas, falam mais do que se falava antes, pelo menos fala-se mais do que falava-se antes.
Speaker BMas existem alguns pilares que são importantes.
Speaker BE existem situações que roubam anos de vida.
Speaker BEm 2001, mais ou menos, ou seja, 23 anos atrás, a Universidade de Stanford publicou um trabalho muito interessante, talvez tenha sido o primeiro trabalho grande, de impacto, robusto, mostrando quais eram os hábitos que tiravam vidas, que tiravam anos de vidas, de um indivíduo.
Speaker BE o campeão foi o cigarro.
Speaker BO cigarro, o álcool, o não tomar sol.
Speaker BNa época, início dos anos 2000, ainda a AIDS era uma coisa importante.
Speaker BEntão, a realização, fazer sexo de uma maneira insegura, sem proteção, o sedentarismo.
Speaker BE aí, hoje em dia, dá-se muita importância para o tempo que você fica sentado.
Speaker BNão adianta você ir para a academia três vezes por semana, malhar três horas, de três a cinco horas por semana, se o resto das horas da semana você fica sentado.
Speaker BFicar sentado tem um peso muito importante, negativamente.
Speaker AEu até ouvi de um outro especialista, em outro programa da Gregário, de que o sedentarismo de ficar sentado grande parte do seu dia é quase como o novo tabaco.
Speaker ASe o tabaco reduziu o consumo, a quantidade de horas que cada um de nós passa sentado é tóxica.
Speaker BÉ, é isso aí.
Speaker BTem aí alguns trabalhos já mostrando isso, de roubo, de roubo de horas de vida.
Speaker Bé mais ou menos isso mesmo, né?
Speaker BEntão, hoje em dia, a história de você, e a gente orienta, eu oriento isso para os meus pacientes, para os meus alunos, eu falo, essa aula hoje nós vamos fazer de pé, nós vamos fazer caminhando, nós vamos caminhar até a escada, estou numa universidade, prédios, escadas, corredor, nós vamos conversando até a escada e vamos voltar.
Speaker BEntão, você ter hábitos de, a cada duas horas, você levantar, ir até a cozinha, buscar um copo d'água, ir até a copa, buscar um copo d'água, você já mata duas coisas com uma canjada de água.
Speaker BVocê se hidrata e estica as canelas.
Speaker BSão coisas que são fundamentais, são muito importantes.
Speaker BEntão, basicamente, esses são os pilares relacionados ao cigarro, álcool, que é uma coisa que É impressionante, eu acho que na minha geração bebia-se muito, e essa geração continua bebendo-se muito, e acho que nas gerações passadas também bebiam-se muito.
Speaker BEu acho que não existe um estudo em que você possa fazer com segurança de saber quanto que o álcool rouba de vida, de horas de vida de uma pessoa, porque as gerações, o álcool é uma droga que sempre foi aceita, em poucos momentos da história do ser humano ela foi proibida, por pouco tempo, mas não por uma geração inteira.
Speaker BEntão acho que isso é uma questão que hoje em dia está muito bem estabelecido, que o álcool atrapalha principalmente as questões do cérebro, questões cognitivas e musculares também.
Speaker BA história de você ter um propósito é muito importante, então quando você já vai partindo para Para o idoso, a gente fala idoso, idoso é a pessoa com mais de 60 anos de idade, a gente fala que o idoso sim, ele tem que ter um propósito, ele tem que ter amigos, ele tem que ter músculo e ele tem que ter uma alimentação saudável, com atividade física.
Speaker AE estresse, estresse barra qualidade de sono?
Speaker BO sono sem dor...
Speaker Bdizem que...
Speaker Bquando eu falo dizem...
Speaker Bporque a gente fala que existem os quatro grandes marcadores...
Speaker Bque são pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura e frequência respiratória.
Speaker BSão os marcadores de...
Speaker Bqualquer profissional da área da saúde tem que saber esses quatro marcadores.
Speaker BDe repente sempre vem alguém e fala...
Speaker Btem um quinto marcador!
Speaker BO quinto marcador é...
Speaker BÉ força muscular.
Speaker BO quinto marcador é sempre cada um puxa a sardinha para o seu lado, mas existe realmente uma história do quinto marcador ser qualidade do sono.
Speaker BA qualidade do sono é uma situação extremamente importante.
Speaker BEu vou comentar o estresse de maneira separada, mas dormir bem é fundamental.
Speaker BA ciência do sono, estudar o sono é uma coisa muito recente na ciência da saúde.
Speaker BÉ impressionante...
Speaker Beu tenho aí 35 anos de formado...
Speaker Bna minha graduação não se falava nada de sono.
Speaker BEu comecei a saber da importância do sono já formado...
Speaker Bjá com a residência terminada...
Speaker Bquando começaram a aparecer...
Speaker Be eu vou te falar quando foi isso...
Speaker BFoi em meados da década de 90, do século passado, quando os americanos começaram a publicar os primeiros estudos de polisonografia em soldados que lutaram na Primeira Guerra do Golfo.
Speaker BLá que começaram a entender um pouco mais como era importante ter um sono reparador para você melhorar a atenção, para você melhorar a percepção, para você melhorar a cognição dentro de uma guerra, dentro de um campo de batalha.
Speaker BE daí que começou-se a estudar mais o sono.
Speaker BNão tenha dúvida, o sono é uma situação que a gente pensa que está tudo quietinho, que o nosso organismo está parado, nada.
Speaker BÉ uma outra indústria dentro da nossa road que começa a trabalhar.
Speaker BExiste produção de alguns hormônios, existem antagonismo de outros hormônios, existe o backup de memória que é feito durante o sono, então o sono é fundamental.
Speaker BFalando aqui, puxando o Sardinha para o nosso lado, falando de esporte, de performance, hoje em dia um atleta tem que treinar, comer e dormir, né?
Speaker BO dormir é fundamental, é fundamental.
Speaker AQue, aliás, na hora que a gente ouve de atletas profissionais, dormem 9, 10, 11 horas por noite, não acordam de madrugada pra treinar, saem pra treinar 9, 10 horas da manhã.
Speaker AQuem é profissional, o Nicolas, que é nosso sócio aqui no agregário, tem essa rotina.
Speaker AEnquanto que nós, e eu me incluo nisso e acho que vários do nosso ouvinte, temos trabalho, família, atividade física e sono.
Speaker AE aí, nessa pressão dessa disputa das 24 horas por essas quatro coisas, Quase sempre a escolha é, se eu dormir menos, eu consigo acertar a minha hora com as outras três coisas.
Speaker AIsso tem um preço a pagar?
Speaker AOu seja, quem rotineiramente está dormindo, sei lá, menos de 6 horas, às vezes 4 horas, 5 horas por noite, tendo uma rotina intensa, ainda tendo um volume de treino razoável, acima das 8, 10 horas por semana, essa conta chega em algum lugar?
Speaker BChega.
Speaker BOpa, chega sim.
Speaker BExiste um pequeno número de pessoas que geneticamente precisam só de 4 horas de sono.
Speaker BIsso é uma questão genética.
Speaker BEssas pessoas se adaptam bem a 4 horas de sono sem problema nenhum.
Speaker BComo também tem o oposto.
Speaker BTem aquelas pessoas que geneticamente precisam de 13, 14 horas de sono por dia.
Speaker BÉ genético.
Speaker BAgora, a grande maioria das pessoas necessitam de 7, 8 horas de sono.
Speaker BEntão, você reduzir o seu tempo de sono para encaixar tudo que você tem que fazer no dia de 24 horas, o treino, o trabalho, tem um preço sim.
Speaker BO sono, existem quatro fases do sono, e quando você começa a espremer o sono, você acaba prejudicando a chamada fase 3 e a fase 4, que são fases em que você tem produção do hormônio do crescimento, que para um adulto não vai fazer você crescer, mas vai fazer os seus neurônios ficarem mais...
Speaker Bmais plásticos, mais fáceis de serem recuperados.
Speaker BVocê perde essa capacidade, você começa a bloquear hormônios no homem, no caso, no homem você começa a bloquear a produção de testosterona, você aumenta a produção de cortisol, que é um hormônio do estresse, que é o hormônio que faz o coração bater mais rápido, a pressão aumentar.
Speaker BEntão, comumente, essas pessoas podem se tornar hipertensas precocemente, e por questões de sono, você aumenta a gordura chamada gordura visceral, que é a gordura que aumenta a chance de você se tornar diabético, que é uma gordura que dificilmente você mede, ela não pesa mais do que meio quilo...
Speaker Be aí ela vai pesar...
Speaker Bse você aumentar ela vai pesar um quilo e meio...
Speaker Bela não vai mudar a sua balança...
Speaker Bmuito...
Speaker Btá...
Speaker Bmas...
Speaker Bentão essa questão do sono é extremamente importante...
Speaker Bé extremamente importante...
Speaker Be...
Speaker Bciclista...
Speaker Bentão a gente sabe...
Speaker Btodo mundo já passou...
Speaker Beu já estou curado...
Speaker Beu não tenho mais isso...
Speaker Beu não acordo mais às quatro e meia da manhã para pedalar...
Speaker Bmas de jeito nenhum...
Speaker Btalvez isso que fez com que eu...
Speaker BEu escolhesse o mountain bike e não o ciclismo de estrada, porque o mountain biker não sai nessa hora para pedalar.
Speaker BO mountain biker espera o sol raiar, o sol ficar quente, secar a trilha para poder colocar a bicicleta.
Speaker BA gente sai mais tarde.
Speaker BPorque essa história do sono é importante.
Speaker BEu cheguei a fazer, durante alguns anos, uns bons anos, aliás, uns 12, 15 anos, eu cheguei a fazer corrida de aventura.
Speaker BEu peguei o auge da Corrida de Aventura, que eram corridas de...
Speaker Beu sempre gostei dessa coisa de dias, né, e aí nas Corridas de Aventura, as corridas de três, quatro dias, era uma maluquice, com privação de sono, né, com privação de sono.
Speaker BE a gente chegou a fazer parceria com o pessoal do Instituto do Sono, da Escola Apolóide de Medicina, então a gente tinha o nosso sono...
Speaker Bnos colocavamos para ser estudado, né, e a gente via que era uma bagunça hormonal absurda a tal de você espremer o seu sono, né?
Speaker BEntão, hoje em dia, a gente sabe que quem não tem um sono reparador está mais propenso a ter doenças neurodegenerativas.
Speaker BParkinson, Alzheimer, isso existe uma relação da degeneração do cérebro e você não ter sono reparador.
Speaker BEntão, ter sono reparador é uma situação que a gente tem que correr atrás disso.
Speaker BÉ uma coisa importante.
Speaker AE o estresse?
Speaker BE até vamos juntar isso, né?
Speaker BEu fiz um mestrado em medicina esportiva na Escola Polêmica de Medicina, e eu lembro que tinham colegas que trabalhavam com luta, eram educadores físicos que trabalhavam com luta, né?
Speaker BMaitai, boxe, e eu vi teses de mestrado que estudavam a melhor maneira de você segurar a ansiedade de um atleta de luta na véspera, de um atleta de natação.
Speaker BNormalmente são os esportes individuais, né?
Speaker BUm atleta de natação, um atleta do atletismo na véspera da competição, né?
Speaker BQue o sono não vem, o sono não chega, quais são as técnicas que você pode estar podendo fazer para que eles...
Speaker Be que não seja doping, né?
Speaker Bque eles podem estar utilizando para tentar minimizar essa situação.
Speaker BO estresse é uma coisa paradoxal.
Speaker BAo mesmo tempo que o instrumento, o esporte e exercício físico, principalmente para nós, esportistas amadores, que procuramos, muitas vezes, pelo esporte, melhorar a nossa qualidade de vida e melhorar a nossa percepção do estresse no dia a dia, Quando a gente coloca, começa a piar, começa a querer fazer competição acima de competição, começa a olhar o relógio para poder...
Speaker Bdormir mais cedo, para acordar muito cedo, e você passa a não mais vivenciar outras partes da sua vida, a família, o trabalho, significa que o seu esporte, na verdade, está te causando mais estresse ainda, está te gerando um tsunami, uma tempestade, de corticoide, de cortisol, que é um hormônio que em excesso, é muito bom, mas em excesso ele acaba sendo ruim.
Speaker BE sono não é igual caderneta de poupança, viu, Álvaro?
Speaker BÀs vezes as pessoas falam assim, durante a semana, no final de semana eu compenso.
Speaker BNão.
Speaker BSono não é caderneta.
Speaker BSono perdido é sono perdido.
Speaker BVocê não recupera sono.
Speaker BÉ igual treino, né?
Speaker BTreino perdido é treino perdido.
Speaker BNão adianta você treinar em dobro no dia seguinte que você vai recuperar o seu treino.
Speaker BNão.
Speaker BPerdeu, perdeu.
Speaker AE no estresse, por exemplo, a afirmação de que estresse é mortal, de que você tem, eu tenho uma boa alimentação, eu durmo razoavelmente bem e eu me alimento, enfim, tenho um estilo de vida que está na categoria saudável, mas, por escolha, eu trabalho num ambiente de altíssimo estresse.
Speaker ATodo o resto neutraliza o mal desse estilo de vida com o estresse?
Speaker BEntão, isso dá pra ser medido objetivamente, tá?
Speaker BPorque assim, pra algumas pessoas sim, né, pra algumas pessoas sim, eu não tenho dúvida disso, pra outras pessoas não.
Speaker BQuando a gente fala em estresse, né, vamos pensar do ponto de vista fisiológico, nosso corpo, né, o estresse, Acho que todos os profissionais da área da saúde aprendem o que é estresse numa aula de fisiologia, quando o professor fala assim, imagina se você tá num campo e você encontra um touro na sua frente, bufando, batendo a pata com um chifre imenso a três metros de você.
Speaker BAquela reação que você tem é uma reação de estresse.
Speaker BO coração bate forte, seus olhos abrem desse tanto, o ânus fecha, o seu músculo fica...
Speaker Bforte, seus pernos ficam erétil, seu coração bate depressa.
Speaker BEssa reação é uma reação desejável em muitas situações.
Speaker BO que não pode é você não ter a compensação disso.
Speaker BOu ela começar a fazer parte continuamente do seu dia e você não conseguir compensar isso daí.
Speaker BEntão, a compensação é muito importante.
Speaker BEntão, a gente fala que o estresse é o sistema nervoso simpático.
Speaker BE aí você tem um sistema nervoso parasimpático para poder compensar.
Speaker BEntão, quando você faz um teste ergométrico, você coloca o seu sistema sob estresse.
Speaker BNão é um teste ergométrico clássico.
Speaker BQuando você para o teste ergométrico, você coloca o seu sistema parasimpático para compensar.
Speaker BE você consegue, nessa parada, entender se uma coisa está compensando a outra.
Speaker BUma das maneiras de você treinar isso é o esporte.
Speaker BQuando você faz um treino de alta intensidade, baixa intensidade, alta intensidade, baixa intensidade, você acaba treinando isso daí também.
Speaker BSabe-se que aquela pessoa que mesmo sendo submetida a uma situação de estresse, mas quando ela está bem treinada em relação a isso, o sistema nervoso parasimpático acaba superando, suplantando, sendo mais importante do que o simpático.
Speaker BE essas pessoas bem treinadas, elas conseguem, hoje em dia está bem estabelecido, elas conseguem ter uma expectativa de vida maior.
Speaker BEntão, se você tem uma vida atribulada, tenso o tempo todo, pesado, independente da sua profissão, se você não tem nada para compensar isso todo dia em algum momento, que não seja de uma maneira artificial, então não adianta tomar um porre, não adianta usar drogas, é uma maneira consciente e que compense isso, você tem uma longevidade menor do que aquela pessoa que consegue compensar isso daí.
Speaker BDe uma certa maneira, o exercício físico ajuda a treinar isso daí.
Speaker AE aí eu queria pegar esse gancho que você deu agora.
Speaker AUsar dos fatores externos, e aí eu vou usar uma palavra pesada, vamos chamar de drogas.
Speaker AEntão, você toma uma droga para acordar de manhã e você toma uma droga para dormir de noite, seja ela qual for.
Speaker APode ser café, pode ser energético, pode ser remédio psiquiátrico.
Speaker APsicotrópico.
Speaker APsicotrópicos.
Speaker AAs gerações antes da nossa e talvez a nossa, que estamos na faixa dos 60, fizeram o uso mais irresponsável disso e talvez estejam pagando a degeneração com Alzheimer, com Parkinson.
Speaker AMas o que a ciência ensina hoje para quem tem 25, 35?
Speaker Aque tá usando desses recursos, vamos chamar de uma chave liga e desliga com fatores externos.
Speaker AEntão, liga acelerando de 0 a 100 no começo da manhã, usando algum tipo de droga, e desliga de 100 a 0 no final do dia pra dormir.
Speaker BOlha, Álvaro, isso é uma coisa...
Speaker Ba gente que tá aí na casa dos 60, certamente muitos de nós, eu sou um deles, tenho filhos de 26, de 25, de 24, 23 anos de idade, né?
Speaker BAlém da história da geração, acho que existe um apelo muito grande pelo imediatismo.
Speaker BIsso é uma coisa injusta demais com o ser humano, ainda mais com o jovem.
Speaker BExigir que o jovem tenha a resposta rápida, faça tudo muito rápido, e ele começa a exigir dele mesmo isso.
Speaker BEntão, muitas vezes...
Speaker Bporque...
Speaker Beu falo isso porque...
Speaker Bmuitas vezes você, enquanto jovem, é pressionado...
Speaker Be você se deixa pressionar também...
Speaker Btalvez faltou uma educação...
Speaker Bum treinamento para você conseguir frear isso...
Speaker Bmas nos dias de hoje essa percepção de você ser pressionado para...
Speaker Bpara entregar rápido alguma coisa, entregar um trabalho, entregar uma maneira de ser, uma expertise que demora anos para você ter e você é obrigado a entregar isso rapidamente, isso facilita muito com que você tenha que tomar remédio para acordar...
Speaker Btomar remédio para dormir...
Speaker Bexiste uma certa...
Speaker Bexiste um certo excesso de...
Speaker Beu considero agora enquanto médico...
Speaker Benquanto educador...
Speaker Beu sei que existe um excesso de prescrição...
Speaker Bum excesso de diagnóstico que talvez não caberia em outros tempos...
Speaker Be que talvez hoje em dia também não caberia...
Speaker Bou que se coubesse teria que ser resolvido de outras maneiras que não o uso de medicamentos.
Speaker BEstou falando de medicamentos lícitos.
Speaker BMedicamentos que você pode comprar na farmácia com prescrição médica e muitas vezes sem prescrição médica.
Speaker BEntão isso existe uma coisa muito ruim em relação a isso.
Speaker BAgora, quando a gente fala...
Speaker BEntão, assim, eu acho que uma questão dessa geração que está sendo pressionada em relação a isso é muito ruim, isso não vai acabar bem, isso não tem acabado bem.
Speaker BEu acho que quem tem filhos de 20, 21, 22, tem que estar atento a isso, né?
Speaker BA gente escuta todo dia jovens terminando com a sua própria vida porque não toleram essa pressão.
Speaker BNão que isso não existia antes, mas hoje existe uma maneira mais...
Speaker Bmais intensa, a gente consegue saber de situações mais frequentes.
Speaker BEu lido com jovens dentro da universidade, uma universidade pública, federal, que estudam medicina, e a gente vê um uso abusivo de drogas para melhorar performance, uma coisa que eu fico abobado, o tanto que jovens esportistas, amadores, universitários, na área da saúde, utilizam de doping, de anabolizantes, meninos e meninas, para melhorar a performance, para campeonatos entre faculdades, isso é uma coisa assim, maluca, né?
Speaker BE como é que a gente fica sabendo?
Speaker BComeça a ter lesões, né?
Speaker BEntão, eu tô lá na medicina esportiva, você começa a apresentar lesões, ruptura de músculo, ruptura de tendão, ou conversando com jovens, você vê que isso tá acontecendo com muita frequência.
Speaker BO uso do álcool, das outras drogas ilícitas, ó álcool, cocaína...
Speaker Banfetamina, opióide...
Speaker Banfetaminas, enfim...
Speaker BIsso tudo está assim.
Speaker BNa minha época não era assim.
Speaker BEu não tenho estudo científico sobre isso, mas na minha época não era assim.
Speaker BEu era da minha faculdade, eu jogava futebol, jogava, fazia atletismo, não tinha isso.
Speaker BTinha o álcool, o álcool sempre teve.
Speaker BMas para melhorar performance, nada.
Speaker BPara melhorar performance, para ganhar do outro, nada.
Speaker Bnão tinha, hoje em dia tem.
Speaker BVocê é estimulado dentro das associações atléticas, isso é muito comum.
Speaker BEu não estou generalizando, pelo amor de Deus, não estou generalizando, mas a frequência disso A prevalência disso tem sido muito alta.
Speaker BIsso é muito ruim.
Speaker ACarlos, voltando para o corpo, é parte de quem não é atleta profissional, e até mesmo quem é atleta profissional, de ter pausas forçadas.
Speaker ASeja por uma lesão, seja por uma revisão de prioridades do mundo profissional, do mundo familiar, filho nascendo, doenças na família.
Speaker AO que a tua experiência e o teu estudo mostram sobre quão difícil é recuperar a forma em cada um dos momentos, então vamos falar dos 25, 35, 45 e 60, dessas pausas forçadas.
Speaker ATem uma falácia que eu ouvi falar, nunca li nada científico a respeito, que para cada uma semana, absolutamente off, é um mês que você precisa de treino para recuperar.
Speaker AEntão, você ficou quatro semanas, você precisa de quatro meses para voltar ao estado de condicionamento que você tinha no dia zero, quando você deu a primeira pausa.
Speaker AEntão, isso muda na faixa etária, 25, 35, 45, 60?
Speaker BEntão, eu acho que existem estudos, sim, primeiro em atletas profissionais.
Speaker BExiste uma coisa chamada memória muscular, tá?
Speaker BTodo mundo já ouviu falar, memória muscular, memória muscular.
Speaker BMemória muscular, ela tem relação com isso, né?
Speaker BA pessoa tem uma pausa e quando ela retorna, algumas pessoas sentem uma facilidade maior para recuperar a sua capacidade muscular, a sua capacidade aeróbica, o seu desempenho, a sua performance.
Speaker BEssa memória muscular depende de um tipo de célula chamada célula satélite muscular.
Speaker BA célula satélite muscular é uma célula que consegue rapidamente se desenvolver e assumir função de uma fibra muscular.
Speaker BEntão, com o envelhecimento, a gente tem uma redução dessa célula satélite.
Speaker BQuem faz mais atividade física tem uma chance maior de ter mais células satélites.
Speaker BEntão, um atleta profissional bem treinado, top, não idoso, um atleta profissional jovem ainda, nem ainda um adulto de meia idade, ele vai ter uma quantidade maior de células satélites, a ponto que se ele conseguir ter o destreinamento de quatro semanas, ele rapidamente, em uma semana, ele volta a ter uma capacidade muito boa, principalmente se ele tiver bons hábitos de vida e uma boa alimentação.
Speaker BIsso está bem estabelecido, é o que os fisiologistas fazem e imploram com seus atletas profissionais quando eles entram em destreinamento por férias períodos entre grandes competições, tá?
Speaker BEm uma semana eles conseguem voltar, em uma semana eles voltam.
Speaker BE hoje em dia tem maneiras de você medir o quanto de células satélites você tem, você consegue medir isso, você consegue fazer biópsia muscular e ter uma percepção disso, tá?
Speaker BNão é nada absurdo, eu tenho certeza que muitos atletas profissionais fazem isso, tá?
Speaker BPra poder ter esse time adequado.
Speaker BNo atleta amador, isso vai se modificando, evidentemente.
Speaker BNuma pessoa já acima de 50 anos de idade, o número de células satélites é muito pequeno, no idoso é muito pequeno, então a memória muscular dessa pessoa é muito difícil, é muito lenta.
Speaker BA maior parte dos trabalhos científicos mostram que, já que a maior parte das paradas são paradas de quatro semanas, de quatro até oito semanas, muitas vezes os atletas amadores ou profissionais são estimulados a fazerem quebras de treinamento de quatro a oito semanas, E a retomada disso, em média, mesmo num adulto não profissional, num amador, um mês ele volta a ter a mesma performance que ele tinha.
Speaker BDesde que ele não ficou essas quatro semanas, oito semanas enchendo a cara, comendo de tudo, mas sem fazer exercício e tendo uma alimentação bacana.
Speaker AOu seja, manteve o pacote de bons hábitos, a única coisa que ele não teve foi atividade física.
Speaker BExatamente.
Speaker BEu, particularmente, como geriatra e como...
Speaker Bum degustador do esporte, eu fiz um trabalho recente, que é meu doutorado, em que eu estudei a fase do distanciamento social num grupo de idosos que faziam muita atividade física.
Speaker BEles não eram atletas de esporte, mas faziam, em média, 600, 700 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana.
Speaker BOu sejam, 10 horas de atividade física por semana, de atividade moderada, que é bacana, né?
Speaker BE essas pessoas, durante a pandemia, foram obrigadas a parar de fazer.
Speaker BPrincipalmente no primeiro ano de pandemia, em que parques estavam fechados, ruas fechadas, tudo fechado, todo mundo com medo dentro de casa, ninguém saia pra nada.
Speaker BE a gente conseguiu estudar a performance dessas pessoas e conseguimos ver o tempo que eles gastaram para recuperar o que eles tinham antes da pandemia.
Speaker BEntão, assim, eles ficaram praticamente 15 meses sem fazer atividade física de maneira sistemática e perderam, além da performance, força, desempenho, claro, perderam imunidade.
Speaker BEntão, hoje em dia, Um adulto com mais de 50 anos de idade tem que pensar no esporte e no músculo como fonte de imunidade.
Speaker BO músculo produz substâncias que ajudam não só a célula satélite muscular, mas outras células do sistema imunológico.
Speaker BO sistema imunológico da gente é primo, as células da imunidade são primos das células musculares.
Speaker BEntão, eles comem do mesmo prato, vamos dizer assim.
Speaker BEntão, essas pessoas perderam a imunidade.
Speaker BIsso deu pra medir.
Speaker AE tem modalidades de atividade física que ajudam mais ou ajudam menos nessas duas funções?
Speaker BIsso há uma discussão se existe.
Speaker BExiste uma tendência a achar que, principalmente para o idoso, Para o adulto de meia-idade e para o idoso jovem, ou seja, o nível de 50 a 70 anos de idade, parece que a atividade aeróbica é mais importante.
Speaker BA partir dos 70 anos de idade, parece que a atividade de musculação passa a ser mais importante, em relação à parte da imunidade.
Speaker BMas ambas são importantes.
Speaker BEssa diferença não é tão grande assim, mas existe uma pequena diferença.
Speaker Bdiferença.
Speaker BO fato é, essa galera que eu comentei com vocês, quando os parques foram abertos, as academias foram abertas, e essas pessoas voltaram a fazer atividade, seis meses depois, seis meses depois, eles estavam com a parte imunológica como estavam antes, porque a gente mediu a imunidade antes da pandemia, por coincidência.
Speaker A15 meses de pausa forçada, 6 meses de atividade e recuperou num estado que estava 15 meses antes, imunológica.
Speaker BImunológica.
Speaker BEssas pessoas tinham, em média, 70 anos de idade.
Speaker BA parte muscular, 6 meses, não foi suficiente para recuperar a força e a capacidade aeróbica que eles tinham antes da pandemia.
Speaker B15 meses foi cruel para eles.
Speaker BEles não voltaram a ter a mesma força, não voltaram a ter a mesma capacidade aeróbica.
Speaker BOk, tiveram um desgaste também do próprio processo de envelhecer, mas mesmo levando isso em consideração, para o músculo foi muito ruim.
Speaker BEntão assim, hoje em dia, essas estratégias para um atleta de pausa, isso parece que é muito importante, isso é importante dizer.
Speaker BEssa história de você ficar treinando o ano todo, aí tira as férias, continua treinando, vai pra praia, continua treinando, volta pra trabalhar, continua treinando, e sem fazer pausa, isso não é bom pra performance, não é bom pra performance, não é bom pro coração, pro sistema cardiovascular, é muito importante você desestressar seu músculo cardíaco, Então, pensa o seguinte, o músculo do coração em repouso fica lá a 60, 70 batimentos por minuto.
Speaker BQuando você está fazendo uma atividade intensa, seja o ciclismo, seja a corrida, 150, 160, 170, e na bicicleta principalmente, por minuto, 130, 140, mas durante duas horas, duas horas e meia, três horas de pedal, É um esforço muito grande para o musculação, para o seu coração.
Speaker BDestreinar o coração, hoje em dia, é uma maneira de você ter uma longevidade maior do seu sistema cardiovascular.
Speaker BEntão, para atleta de performance, descansar o coração, que é um músculo também, é um músculo também, pode cansar também, É uma maneira de você aumentar a longevidade da sua vida esportiva.
Speaker AE peso, a briga com a balança?
Speaker AE tem, óbvio, o peso do número e tem o peso da qualidade, massa magra e massa gorda.
Speaker AO que é que muda na passagem das décadas de dar a chutada de balde e depois de conseguir recuperar o peso que você estava antes?
Speaker BÉ...
Speaker Bisso tem muito a ver com duas situações.
Speaker BO metabolismo da gordura e o metabolismo do fígado, né?
Speaker BPorque normalmente você ganha peso porque você come muito ou você bebe muito ou as duas coisas juntas, né?
Speaker BO álcool...
Speaker Bok, o álcool é tóxico para o músculo, todo mundo sabe disso.
Speaker BÁlcool e músculo não combinam.
Speaker BMas quando você toma um porre ou bebe demais e quer emagrecer, Esse álcool bloqueia a sua célula gordurosa até por 72 horas.
Speaker BEntão, assim...
Speaker Ba pessoa que quer perder peso...
Speaker Bou está preocupada em perder peso...
Speaker Bque faz bastante atividade...
Speaker Bmas bebe demais...
Speaker Bno sábado ou bebe demais no domingo, até terça ou quarta-feira da próxima semana, ela não vai conseguir perder nada porque a célula gordurosa dela está paralisada, ela não consegue gastar a energia de reserva.
Speaker BEntão, isso é uma questão importante.
Speaker BIsso acontece em qualquer idade.
Speaker BÉ que no indivíduo mais jovem, antes dos 30 anos de idade, tem outras situações que aceleram o metabolismo, mas a célula de gordura fica bloqueada.
Speaker BO que acontece no processo do envelhecer, e aí especificamente já a partir dos 50, todo mundo percebe a partir dos 50 anos de idade, o nosso metabolismo muda porque mudam-se os hormônios, muda a eficiência do metabolismo de algumas células, a gente tem uma usina elétrica de produzir energia, e essa usina, que são as mitocôndrias, que são organelas que ficam dentro das células, e no processo de envelhecimento a gente tem uma redução dessas usinas, então, para a gente acelerar nosso metabolismo, demora mais, então a gente demora mais para conseguir gastar a energia que a gente queria gastar, e com isso demora mais para a gente perder peso.
Speaker BAlém disso, a gente começa a ter uma coisa que antes dos 45 não acontecia.
Speaker BA gente começa a ter infiltração de gordura dentro do músculo, que é uma situação nova.
Speaker Be que faz com que essa gordura dentro do músculo também trave o acelerar o metabolismo para se perder peso.
Speaker BClaro que isso é individual, vão ter pessoas que vão ter mais, vão ter pessoas que vão ter menos, mas essa gordura dentro do músculo acaba também E é uma mudança que começa a partir dos 45, dependendo muito do seu histórico de alimentação, mas quando você começa a errar muito a alimentação, que é exatamente os 45, você começa a ter dinheiro, né, Álvaro, para poder ir num restaurante melhor, na sexta, no sábado, no domingo, na quinta-feira, tomar um vinho melhor, e é exatamente esses são os estímulos para você aumentar a produção de gordura dentro do músculo.
Speaker BIsso daí trava a performance e trava o perder peso também.
Speaker BA partir dos 70 anos de idade, isso acontece, a gordura dentro do músculo, independente de você ir no restaurante ou tomar vinho.
Speaker BIsso acontece.
Speaker BA partir dos 70, é como se fosse uma defesa do nosso corpo.
Speaker BOlha, você está envelhecendo, eu vou deixar uma reserva de energia bem pertinho do seu músculo, ok?
Speaker BIsso vai fazer com que você não consiga ter uma grande explosão muscular, como você tinha aos 30, aos 40, mas vai garantir uma fonte energética caso você enfrente algum tipo de estresse, uma doença, uma cirurgia.
Speaker BA natureza é sábia com os mamíferos.
Speaker BNós somos mamíferos.
Speaker BA mesma ferramenta que a natureza dá para o leão, para o urso, que vai hibernar seis meses, dá para o ser humano.
Speaker BSó que o ser humano não consegue, depois que o ser humano descobriu que dá para armazenar comida, dá para fazer comida no fogão, ele não fica mais do que 24 horas por opção sem se alimentar.
Speaker BAgora que estão voltando, estou falando da história do jejum intermitente, mas de uma maneira geral, o ser humano come mais do que precisaria.
Speaker BEntão, a partir dos 70, isso acaba acontecendo de uma maneira mais importante.
Speaker AMas então, Carlos, os mesmos hábitos alimentares, se forem exatamente iguais nos 20, nos 30, 40, 50, 60, 70, não vão ter o mesmo efeito de manutenção de peso.
Speaker AVocê precisa melhorar os seus hábitos na sequência das décadas pra manter a sua saúde, é isso?
Speaker BPra manter o seu peso, mas não necessariamente a sua saúde.
Speaker BNão significa que se você tem 70 quilos e 70 quilos seja um peso bom, lá, percentual de gordura, músculo, esteja tudo bem.
Speaker Baos 40 está legal, não quer dizer que se você tiver 75 aos 60, a casa caiu.
Speaker BNão quer dizer isso de jeito nenhum.
Speaker BPode ser apenas que é uma mudança fisiológica de um ganho de gordura por questões fisiológicas do que eu estou lhe contando.
Speaker BNão necessariamente você vai estar...
Speaker Ba casa vai ter...
Speaker Bvocê não precisa estar pesando 70 quilos sempre.
Speaker BNão precisa.
Speaker BAliás, isso é um grande erro.
Speaker BPrincipalmente das pessoas que sempre foram muito magras.
Speaker BVai existir um momento de proteção no processo do envelhecer mas isso é mais tardiamente, não é aos 50, não é aos 60, mas é aos 70, aos 75, você vai acumular um pouco mais de gordura e que isso tem um sinônimo de proteção maior contra situações de estresse.
Speaker BMas não tenha dúvida que se você quiser corrigir algumas rotas que você desviou...
Speaker Bporque...
Speaker Bnossa...
Speaker Bagora eu tenho um hábito...
Speaker Beu me permito tomar um vinho com a minha esposa...
Speaker Beu me permito comer uma massa na sexta-feira...
Speaker Bcoisa que você não fazia aos 35 anos...
Speaker Be você tá aos 50 fazendo, pra você corrigir esse ganho, você vai ter que ser mais radical em alguns momentos da semana pra você tentar compensar isso daí.
Speaker AA evolução da medicina, principalmente no século XX, criou uma expectativa de vida mais longa.
Speaker AEntão, os nossos avós eram velhos e com limitações de qualidade de vida aos 50 anos de idade.
Speaker ANós estamos aqui com 62 e possivelmente vamos ter essa qualidade dessa conversa daqui a 10, 20 anos pra frente.
Speaker AGraças à ciência, porque não se morre mais de coisas mais básicas, que a ciência e as condições sanitárias permitiram isso.
Speaker AMas a minha pergunta é, existe alguma indicação que a nossa espécie tem um prazo de validade?
Speaker AOu seja, a partir de uma determinada idade, e toda classificação genérica é meio burra, mas só para ter uma conversa aqui, tem um prazo de validade de que a partir do qual está no lucro e que fisiologicamente a nossa espécie foi feita para durar até uma determinada década?
Speaker BÉ legal essa pergunta, porque normalmente a gente encontra em várias Na Bíblia, que talvez seja um dos livros mais científicos, escritos por leigos, e em outras publicações, sempre há histórias falando de ter limite ou não ter limite.
Speaker BO fato é o seguinte, gente.
Speaker BNós somos mamíferos.
Speaker BVivemos no planeta Terra.
Speaker BUtilizamos o oxigênio como fonte de energia.
Speaker BO oxigênio oxida.
Speaker BAs teorias do envelhecimento, elaboradas cientificamente, improváveis...
Speaker Bpara não falar impossível...
Speaker Bque a gente consiga ter uma vida além dos 120 anos de idade...
Speaker Bmuito pouco provável...
Speaker Baté porque a história tem dito isso...
Speaker Braras exceções...
Speaker Beu mesmo conheci na minha residência um senhor...
Speaker Bque provavelmente tinha 118 anos e ele era muito bom...
Speaker Bisso há 30 anos atrás...
Speaker Bentão esse senhor tinha a carta de alforria dele...
Speaker Bque ele tinha sido escravo.
Speaker BEntão, eu acho que é muito pouco provável se não for impossível...
Speaker Beu acho que é impossível...
Speaker Bfalando como cientista eu acho impossível...
Speaker Bfalando de maneira espiritual eu também acho que não vale a pena...
Speaker Ba vida muito além dos cento e poucos anos, como o nosso querido ciclista francês conseguiu.
Speaker BTudo o que acontece no processo de envelhecimento, existem seis teorias no processo de envelhecimento, todas elas não têm jeito.
Speaker BPor uma ou por outra, a sua vida acaba terminando.
Speaker Be tem muito a ver com essa história do uso do oxigênio mesmo, de alguns erros genéticos que acontecem, um epigenésio que acontece no nosso metabolismo.
Speaker BNão tem jeito.
Speaker BEu sou dada a Escola Paulista de Medicina, e até antes da pandemia existia um grupo de centenários, eram idosos, que tinham próximo a 100 anos de idade, né...
Speaker Be quando a gente conversava com eles, eles iam lá uma vez por semestre, aliás, uma vez por semestre lá no nosso ambulatório...
Speaker Balguns...
Speaker Bpoucos com mais de 100...
Speaker Ba maioria com mais de 95 anos de idade...
Speaker Be aí quando você falava...
Speaker Bah...
Speaker Besse aqui tem 85...
Speaker Beles falavam...
Speaker Bisso aí tem que comer muito arroz com feijão para chegar aos.
Speaker A95, né...
Speaker BE uma coisa...
Speaker Bduas coisas que eu lembro que eu nunca vou esquecer...
Speaker Bde quando você conversava com eles...
Speaker BPrimeiro que...
Speaker Bo estresse todos eles tinham.
Speaker BTodos eles passavam por estresse na vida.
Speaker BTodos eles tinham preocupações, todos eles tinham problemas...
Speaker Be tiveram problemas.
Speaker BO que era diferente era a maneira como eles lidavam com o estresse.
Speaker BA resiliência deles.
Speaker BA resiliência para a vida, para entender, para compreender as coisas.
Speaker BIsso era uma coisa comum a eles.
Speaker BE a outra coisa...
Speaker BEra sobre viver mais, né?
Speaker BExistia quase uma unanimidade de que não era muito bacana você viver num mundo em que você tinha pouca coisa em comum com as outras pessoas, né?
Speaker BEntão, toda a sua geração já tinha morrido e você era um dos poucos que estavam vivos, né?
Speaker BE que isso era bacana até a página dois.
Speaker BDepois começava a ficar chato, né?
Speaker BComeçava a ficar chato.
Speaker ACarlos, nós dois usamos óculos.
Speaker AEu não tenho mais cabelo, tinha até os 45 anos de idade.
Speaker AA minha capacidade auditiva é menor.
Speaker ATenho um estresse de uso.
Speaker AOnde é que tem uma linha de que, assim, eu estou aqui, está tudo funcionando como eu nasci.
Speaker AE, a partir desse ponto, eu vou começar mais de acessórios para continuar a minha vida, a minha interação social, a minha utilidade e existência.
Speaker AÉ o 50, é o 60, é o 70?
Speaker BEntão, essa...
Speaker Ba gente chama isso de capacidade vital ou a gente chama isso de capacidade intrínseca.
Speaker BÉ a capacidade dentro de você que você tem, que você pode exercer a sua vida.
Speaker BA gente fala que a capacidade intrínseca ela depende do humor, ela depende da cognição, Ela depende do sensório, visão e audição...
Speaker Bela depende da locomoção...
Speaker Be ela depende da vitalidade...
Speaker Ba vitalidade no sentido...
Speaker Bnão de estar forte, mas no sentido de estar...
Speaker Bmetabolicamente está tudo mais ou menos bem ajustado.
Speaker BEntão, quando você tem um desses cinco domínios insuficientes...
Speaker Bvocê entra numa vulnerabilidade de fragilidade.
Speaker BE nessa vulnerabilidade de fragilidade, você se aproxima da finitude.
Speaker BIsso não tem data, não tem prazo de validade especificamente.
Speaker BMuitas pessoas começam a ter comprometimento disso muito precocemente, outras mais tardiamente.
Speaker BE do ponto de vista genético, que parece que é o...
Speaker BAliás, eu falo genético, mas não é bem genético.
Speaker BA gente chama de epigenético, que acontece depois do gênio.
Speaker Ba capacidade que o que tá lá no gen, tá lá marcado no seu genético, a capacidade que aquilo tem de ainda fazer acontecer.
Speaker AIsso tem a ver com o ambiente e com os hábitos?
Speaker AAmbiente e comportamentos?
Speaker BTotalmente.
Speaker BTotalmente.
Speaker BO epigenético tem totalmente a ver.
Speaker BVocê pode ter uma alteração genética lá, Você vai encontrar 100 pessoas com a mesma alteração genética, mas só uma que essa alteração se manifestou.
Speaker BNas outras, não.
Speaker BPor quê?
Speaker BPor conta dos componentes epigenéticos que a ciência está longe de determinar todos.
Speaker BSabes que os hábitos interferem muito.
Speaker BE sabe que esse componente epigenético tem a ver com uma coisa chamada telômero.
Speaker BO que é o telômero?
Speaker BAcho que todo mundo, em algum momento, estudou genética no colégio, e lembra dos cromossomos...
Speaker Be os cromossomos são pequenininhos...
Speaker Be a pontinha do cromossomo chama telômero...
Speaker Be a gente sabe que quando os telômeros começam a diminuir de tamanho é porque a morte está chegando...
Speaker Be esse relógio...
Speaker BEsse despertador, para isso acontecer, ele está realmente associado ao epigenético, mas a gente não consegue ter o domínio completo deles.
Speaker BO fato é que chega uma hora que o despertador toca para todo mundo, por mais que você seja super bacana.
Speaker BE o que todo mundo quer...
Speaker Beu já participei de vários debates sobre isso...
Speaker Btodo mundo quer que esse despertador aconteça...
Speaker Bhoras antes de eu morrer...
Speaker Be assim...
Speaker Beu quero morrer com 102 anos...
Speaker Bpedalando até minhas últimas cinco horas de vida.
Speaker BAí eu vou dormir, aí dormindo eu morro.
Speaker BDe uma maneira tranquila, sem sofrimento, sem nada.
Speaker BÉ o desejo de 99% das pessoas.
Speaker Bsó que o epigenético e o genético não permitem que nem 10% das pessoas consigam isso.
Speaker BEntão, o fato é que o relógio, o cronômetro para finitude, em alguma hora ele vai estar ligado e a coisa vai estar correndo.
Speaker BO que a gente sabe é que, do ponto de vista clínico, alguns desses cinco domínios da capacidade intrínseca vão estar vulneráveis.
Speaker BCognição, humor, audição, visão e a vitalidade.
Speaker BCom isso eu quero dizer o seguinte, seja bem-humorado, seja leve, use óculos para enxergar melhor, use aparelhinho no ouvido para escutar melhor, porque isso ajuda a você ter uma qualidade de vida melhor, não tenha dúvida disso.
Speaker AMas tem uma faixa etária que indica que esses fatores começam a ficar mais vulneráveis de uma forma mais aguda?
Speaker BNão tenha dúvida, quanto mais você vive, maior a vulnerabilidade, e pelo processo do envelhecer, principalmente a parte da vitalidade, que tem a ver com doenças, quanto mais você vive, maior a chance da vitalidade estar alterada, porque é maior a chance de você ter doenças negativas.
Speaker BSe bem que as principais, hoje em dia, as principais doenças que tiram qualidade de vida na vitalidade são doenças que potencialmente poderiam ser evitadas.
Speaker Bporque são os quadros cardiovasculares e os quadros metabólicos.
Speaker BDiabetes, obesidade, hipertensão, derrame, que é o ABC, muito mais do que o câncer.
Speaker BE o câncer, muitas das vezes, poderia ter componentes que poderiam ser minimizados com bons hábitos de vida.
Speaker BA gente divide o envelhecimento dos longevos e dos não longevos.
Speaker BNos longevos, a vulnerabilidade aumenta, que são as pessoas acima de 80 anos de idade.
Speaker BPorém, não quer dizer ainda que o cronômetro foi ligado.
Speaker BEu brinco, mas é uma brincadeira real, que assim...
Speaker Bque o momento mais crítico no processo do envelhecimento, quando você vai coletar o que você plantou, está entre os 75 e os 85 anos de idade.
Speaker BEssa década, 75, 85 anos de idade, é o momento que você colhe o que você plantou.
Speaker BSe você plantou erva daninha, você vai colher erva daninha.
Speaker BSe você plantou uma orquídea bonita, você vai colher uma orquídea bonita.
Speaker BRaramente, Raramente um idoso com mais de 90 anos vai morrer de morte súbita.
Speaker BRaramente.
Speaker BRaramente.
Speaker BVocê vê pessoas jovens morrendo de morte súbita.
Speaker BVocê vê pessoas idosos, jovens morrendo de morte súbita.
Speaker BDe infarto, algum do miocárdio, um AVC catastrófico.
Speaker BUm idoso acima de 90 anos é a seleção natural da espécie.
Speaker BAlguma coisa fez ele conseguir chegar até essa faixa etária.
Speaker BEntão, ele é especial.
Speaker BO telômero dele é um pouquinho maior do que dos outros.
Speaker BPor quê?
Speaker BPor acaso, bons hábitos de vida, tem coisas que a gente não consegue explicar.
Speaker BMas que ele não vai morrer subitamente, ele não vai.
Speaker BIsso é fato.
Speaker AEntão, você que está nos ouvindo aí nas faixas etárias, que ainda dá para poupar, poupe, preserve bons hábitos, escolha os mundos que você frequenta, como a gente falou de ambiente, não é o meio ambiente, que é um outro problema, mas é outra conversa, mas que mundo você está vivendo, com que estilo de vida, para você poder usufruir muito tempo dessa curta existência que a gente tem aqui.
Speaker AE a ciência está sempre para ajudar, como é o trabalho do Carlos e de vários outros, que, como a gente falou no começo do programa, a única chance de você não precisar é de um fato muito triste, que é você não chegar na faixa etária que nós dois estamos e na faixa etária que a gente ainda pretende viver.
Speaker Ae honrando ao nosso Mercier Marchand, que aos 105 anos quebrou o recorde da hora e inclusive viveu mais dois anos, morreu aos 107.
Speaker ATalvez até triste, eu não sei esse dado, mas eu imagino que para ele parar de pedalar aos 105 deve ter sido uma decisão muito difícil e deve ter brigado muito com a família.
Speaker AMas, Carlos, muito obrigado pela tua conversa, pela tua experiência e pela sua saúde.
Speaker BFoi um prazer estar aqui com você, conversando sobre isso.
Speaker BÉ um assunto muito bacana.
Speaker BE o conselho que eu dou é o seguinte.
Speaker BVocê falou uma coisa que é muito legal.
Speaker BEconomize.
Speaker BEconomize como se você estivesse pedalando numa subida com muita chuva.
Speaker BEconomize o seu material.
Speaker BPreserve o seu material.
Speaker Bpara não deixá-lo estragar.
Speaker BA gente tem que viver dessa maneira.
Speaker BVá, suba, ande na chuva, mas economize, cuide bem da sua bicicleta.
Speaker BQuer dizer, cuide bem do seu corpo, escolha, faça escolhas corretas para que você consiga usufruir dele o maior tempo possível, da melhor maneira possível.
Speaker BQue tal ter um pôster com a arte desse episódio?
Speaker BAs ilustrações do Woodson Malta podem decorar sua casa!
Speaker AEntre em contato com a gente e saiba mais!